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(…) à luz das últimas políticas ditas educativas implementadas em Portugal, chega a ser pleonástico falar de escola e fábrica, quando os agentes educativos são avaliados pela sua quantidade de produção (número de alunos inscritos, número de horas de trabalho presencial, número de teses orientadas, número de livros e artigos publicados em revistas, desde que devidamente creditadas para a contagem) e os alunos forçados a aprenderem quase exclusivamente em função da passagem de metas e exames; além da novidade, por exemplo, da submissão de todos os professores contratados à realização de uma prova de avaliação de conhecimentos para acesso à carreira (?) docente, conhecimentos esses já avaliados ao longo de anos de especialização em instituições de ensino superior e de prática em campo. No fundo, o Estado assume, cada vez mais, o seu carácter de «Estado policiário», interessado em escravos sofisticados apenas q.b., que por sua vez preparem escravos para produzirem sem questionarem. Assistimos, deste modo, a uma infecção generalizada do tecido social pelos princípios e pelo vocabulário da ordem económica, deixando cada vez menos margem para o caos criador e/ou revolucionário. (p. 27)

in “Cão Celeste”, Nº 4, Novembro 2013

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