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Eu escrevo, escrevo. Cheguei ao apuro da felicidade de não sentir nenhum dia diferente do outro, de nada esperar e tudo viver em paz. Este verão passei um mês quase direi sozinha, em Esposende. Esfregava a cozinha de tarde e à noite e achava nisso uma canseira agradável, não porque eu era uma intelectual da humildade mas porque o sabão e a água, e o chão limpo faziam a harmonia daquela hora. (p. 105)

Quando alguma coisa que tem raiz em nós acaba é muito difícil perdoar a nós próprios até a lógica. (p. 39)

No mundo há boa gente – mas aborrece-nos; e os maus são demasiado medíocres. Com as suas arcas e redomas cheias de seres não mais admiráveis do que permite o humano, não mais perfeitas do que nos consentem, deve sentir uma espécie de rara felicidade. (p. 30)

[Talvez] (…) algum S. Jerónimo cínico de santidade vagueie pelo seu jardim cismando sobre a natureza humana das pedras. (p. 30)

Correspondência Agustina-Régio (1955-1968), Guimarães, 2014

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