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Explorei o Ceilão e familiarizei-me com as suas manhãs mágicas e os seus incomparáveis crepúsculos. Todas as manhãs, logo que a bruma se levanta, a graciosidade daquela terra fica em pleno foco, e as cores e as formas têm maior nitidez; à medida que o dia avança a luz acrescida tende a esbater ambas. Os crepúsculos, em particular na costa, são vastas produções de cortar o fôlego que duram  somente escassos minutos. Os meses passaram. Mudei-me de um local para outro, achando sempre cada um melhor que os anteriores, mas desejando que pudesse haver algum sítio com o qual eu conseguisse identificar-me por meio da posse.
Antes de eu partir de Inglaterra, haviam-me mostrado fotografias de uma extraordinária propriedade ao largo da costa sul do Ceilão – uma minúscula ilha em forma de abóbada com uma casa de aspeto estranho no cimo e, espalhados pelos seus flancos, terraços entre a sombra de árvores gigantescas. Essas imagens, provavelmente mais do que qualquer outra coisa, incutiram em mim o ímpeto de optar pelo Ceilão em vez da Tailândia quando andava a escolher um pais que valesse a pena examinar. Mas regressei à Europa sem ter conseguido mais do que vislumbrar por alguns segundos a viçosa ilhota, a partir do comboio para Matara, enquanto este contornava a baía de Weligama. A memória, porém, não abandona as suas imagens tão prontamente (…) (p. 176)

Viagens, Quetzal, 2013

 

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