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Mas o poema não mata, ninguém é nele mais que suburbano. Resolve a gente ao menos o problema na internidade biográfica? Tudo para adiar, imagine-se. Adiar horizontalmente, sobre as idades pessoais, o mundo. E falam de seriedade! E vem aquele com os seus dezassete anos! Adiar. Então chega-se aos quarenta e dois, à China, ao jardim. Mas digo: nunca se tem quarenta e dois anos nem cem mil, nunca. Portanto, cautela. É sempre tempo de rebentar, sempre ódio, sempre crime, ou suicídio, ou loucura – evidentemente: com a coroa de rosas, botânica das nossas posses. (p. 38)

Photomaton & Vox, Assírio & Alvim sob chancela da Porto Editora, 2013

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