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Tive de estar em 10 lugares diferentes para conseguir escrever esta folhinha de papel; na minha mesinha do nosso barracão de trabalho, onde trato dos telegramas, sobre um carrinho de mão, diante da lavandaria onde trabalha a Anne-Marie (de pé durante horas ao calor, rodeada de crianças das classes mais baixas sem dó, aos gritos e que já não aguenta – ontem, enxuguei-lhe muitas lágrimas, mas não lhe dês a entender que escrevi isto – esta cartinha também pode ser lida pela Swipe), numa palestra dada ontem por um prolixo professor de Sociologia, esta manhã, sentada num bocado ventoso de «duna» a céu aberto – na cantina de cartão do hospital, que só há pouco tempo descobri, um achado para onde julgo que poderei retirar-me de vez em quando. (p. 195)

Cartas (1941-1943), Assírio & Alvim, 2009

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