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DSC00491O pai era carpinteiro. Trabalhava numa pequena oficina, anexa à casa. Quando vinha da escola, a primeira coisa que fazia era correr a beijar o pai. Gostava do modo como as suas mãos grandes a afagavam e do cheiro a carvalho e faia que as impregnava e moldavam o ar segundo formas justas e sólidas.
Um dia o pai chamou-a e disse-lhe que já fizera o catre eterno para toda a família. Eram de boa madeira e encimava-os o nome de cada um deles.
Ela estranhou que o do pai, o maior de todos, fosse apenas um pouco maior do que o da mãe e o dela, a menor de todos, fosse maior do que ela. Interrogou o pai acerca disso:
– O tempo será o artesão – disse-lhe.
A partir desse dia, todas as tardes, se deitava no seu eterno catre. Gostava de ouvir passar o tempo.

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