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O ARCANJO TRÁGICO

Subirei, perdido em mim, frente ao castigo
inexorável que te prende os passos
ao umbigo da terra. Deslumbrado
seguirei os astros. Hei-de morder
a fímbria das estrelas. Além do alto
prumo que nos limita
os pés e os cabelos,
direi grave: Miguel, porque me olhas tanto
de lança em riste; porque suplicas
a minha condição de homem
arremeçado aos abismos? Porque não abres
as portas do céu e me prendes? Porque não bates
as asas e desces aos Infernos?! (p. 65)

O Tédio Recompensado, Guimarães Editores, 1968

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