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(…) o traço maior da poesia de Adélia [Prado] é a religiosidade, ou melhor, a fundação religiosa da sua poética. Trata-se afinal de uma concepção, trivial e devota, da poesia como inspiração. Trivial porque avessa à elaboração, no verso como na justificação poética, alimentando o espontaneísmo, o improviso, o descomprometimento formal: a dádiva não se confunde com talento ou capacidade oficinal. Devota porque efectivamente entendida enquanto prática de dedicação religiosa: a expressão transmite, ou pela expressão a poeta transmite, e a dádiva da voz consiste em não ter voz, antes dar voz à revelação divina. (p. XIII)

in “Qualquer coisa é a casa da poesia – nota sobre a poética de Adélia Prado”, Adélia Prado, COM LICENÇA POÉTICA, (Org. Abel Barros Baptista), Cotovia, 2003

 

 

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